

Interpretado por André Ramiro
André Matias é um jovem policial militar que, paralelamente à carreira na polícia, cursa Direito em uma universidade pública. Inteligente, observador e estratégico, Matias vive uma dupla vida que se torna cada vez mais insustentável.
Na universidade, ele convive com estudantes de classe média que romantizam a favela e criticam a polícia sem conhecer sua realidade. Na corporação, enfrenta a corrupção endêmica que compromete até os policiais mais bem-intencionados.
Matias é o personagem mais cerebral do filme. Enquanto Neto age por instinto e bravura, Matias analisa, planeja e calcula. É essa inteligência tática que chama a atenção do Capitão Nascimento, que passa a vê-lo como um potencial sucessor.
A jornada de Matias no filme é uma descida gradual: de estudante idealista a policial endurecido. Os eventos traumáticos que ele testemunha — e dos quais participa — vão moldando sua personalidade até transformá-lo em algo que ele mesmo não reconhece.
O arco de Matias é particularmente poderoso porque ele começa como o personagem com quem o público mais se identifica. Sua transformação é, em muitos sentidos, mais perturbadora do que a brutalidade explícita de Nascimento.
Matias ingressa no curso de formação do BOPE ao lado de seu amigo Neto. Enquanto Neto é movido pela adrenalina e pelo idealismo de combater o crime, Matias carrega motivações mais complexas: ele quer provar que é possível ser um policial honesto em um sistema corrupto.
O treinamento brutal do BOPE testa seus limites físicos e psicológicos. Matias enfrenta humilhações, exaustão e pressão extrema, mas sua determinação silenciosa o mantém firme quando muitos desistem.
Na universidade, a situação se complica quando seus colegas descobrem que ele é policial. A hostilidade cresce, e Matias se vê cada vez mais isolado entre dois mundos que se recusam a aceitá-lo por inteiro.
A morte de Neto marca o ponto de virada definitivo. A partir desse momento, Matias abandona qualquer resquício de ingenuidade e abraça a mentalidade do BOPE com uma intensidade que surpreende até Nascimento.
Matias representa a tese central do filme: a de que o sistema transforma as pessoas. Ele é a prova viva de que mesmo os mais idealistas podem ser moldados pela violência institucional.
Sua dualidade universidade-polícia também funciona como uma crítica social afiada. Através de Matias, o filme questiona a hipocrisia da classe média intelectualizada que consome drogas enquanto condena a polícia.
O personagem é fundamental para dar ao filme sua dimensão intelectual e filosófica, equilibrando a ação com reflexão.
“Eu não vou pedir pra sair.”
Determinação durante o treinamento do BOPE
“Na faculdade eu era policial. Na polícia, eu era o universitário. Eu não pertencia a lugar nenhum.”
Reflexão sobre sua dupla vida
A amizade entre Matias e Neto é o coração emocional do filme. São complementares: Neto é impulsivo, Matias é calculista.
Nascimento reconhece em Matias as qualidades necessárias para liderar o BOPE. A relação mentor-pupilo define o destino de ambos.
Maria representa o mundo universitário de Matias. Sua relação expõe o conflito entre os dois mundos que ele tenta habitar.